quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Preparando-me para o parto

Amanhã completo 36 semanas de gestação e estou absolutamente satisfeita com minha escolha conjunta com João de parir em casa. Meu pré-natal com a parteira tem sido sempre ótimo. Ela deveria ficar por uma horinha, mas fica o tempo que a conversa acontecer!... hihihi

Amanhã ela vem. Agora vem semanalmente. Em breve, também encontraremos nossa doula, que conhecemos desde que comecei a frequentar o Ventre-Livre, que acabou. Ainda não conseguimos nos encontrar com ela com toda a família e conversarmos sobre nós, nosso momento, nossa relação de casal, nossa relação com nossas crianças. Mas acho que antes do Natal vai rolar!

João tem se mostrado muito tranquilo com tudo. Como estou evidentemente muito grávida e mais cansada que o noraml, ele tem sido bem atento, mais carinhoso e eu adoro quando ele me chama de "bolinha"! Não que eu esteja uma bolinha, é bondade dele. Estou mais para um planeta redondo, misterioso, silencioso e lindo!

Terceiro filho, mas pela primeira vez estou me preparando muito mais do que fisicamente para o parto. Ontem terminei o livro do Leboyer, Naissance sans violence, que li em inglês, Birht without Violence, pois era a cópia que Paloma, minha parteira, tinha. Incrível a sacação dele em relação ao momento único na vida de um bebê, que é o seu próprio nascimento.

Segundo ele, está ali a fonte ou de toda a angústia ou de todo o prazer que aquele indivíduo vai viver em sua vida. Tendo lido e visto relatos de mães e pais, mas principalmente de mulheres que pariram, agora entro mais em contato com o que o bebê vive durante o seu nascimento. E é realmente incrível a diferença entre a forma com que meus dois primeiros filhos nasceram (sim, partos "normais", mas com muitas anomalias para o meu gosto) e a maneira que este terceiro ser vai chegar nesse mundo. Estou encantada, esbabacada com a possibilidade de ter um parto mais prazeroso, pegar meu bebê nu no colo assim que ele ou ela chegar... sentir seu cordão umbilical pulsar, vê-lo a cada instante, oferecer-lhe o peito sem pressa e saber que ele não vai passar por nenhum teste maluco, com luzes, mesas e mãos frias, longe de mim...

Plano B? Tenho, tem que ter, né? Já sei para qual hospital ir em caso de emergência e acho que tenho conhecimento e maturidade suficiente para encararar uma eventual transferência, caso eu ou o bebê precisemos. Mas francamente, não quero ficar pensando nisso não... Vou me preparar para que fiquemos na tranquilidade do nosso lar mesmo e deixar as coisas rolarem. Ainda mais porque está perto, mas ainda faltam 4 semanas para as 40 semanas... E daqui até lá, sabe-se lá o que pode acontecer!

Hoje comecei a lavar os panos: lençoizinhos para o moisés, toalhas de banho e os coeiros. Ah! Os coeiros macios... que delícia! Minhas crianças parecem tranquilas com a eminente chegada do bebê. Nina, com sua sabedoria e seu instinto maternal, cuida do Gabriel. Hoje deu o almoço e agora está brincando com uma amiga dela e ele no quarto... na paz! Gabriel sabe do bebê na minha barriga e diz que tem um na barriga dele também! A gente conversa, eu falo que o bebê vai chegar e ficar no colo, mamar no peitinho... Ele tem uma bonequinha linda, que era da Nina e é uma imitação perfeita de uma menininha pelada. Ele gosta de tomar banho com ela na banheira e cuidar dela! Uma coisa!...

Enfim, super grávida estou. Lendo mais do que escrevendo por aqui, mas acompanhando meu blog predileto do momento, Mamíferas. Recomendo fortemente. Acompanhando os blogs amigos também, claro, galera! Na medida do possível... Ensaiando meus próprios relatos de parto e esperando este terceiro para terminar o ciclo. Mjuita paz para todos nós! Axé!

sábado, 27 de novembro de 2010

Flash mob yoga para gestantes em Brasília

Amanhã, 12h15 na Torre de TV, haverá uma manifestação em prol da humanização do parto e em comemoração da III Conferência Internacional de Parto Humanizado. Será um flazh mob de uma sequência de yoga para gestantes. Para participar, basta assistir ao video no youtube e decorar os passos. É tudo bem simples.

Pelo que entendi, haverá um encontro antes na entrada principal do Ulysses Guimarães (que é um pouco longe da torre, mas enfim) às 12hs. Estou divulgando porque vou participar, claro!!!
O link do video aqui.

É preciso chamar a atenção da população para o fato de que o parto pertence à gestante, à mulher e é ela quem deve ser respeitada no momento sagrado de trazer sua cria ao mundo. Pelo respeito à mulher, seu companheiro ou companheira e seus filhos!

"Entrego, aceito, confio, agradeço". Vamos lá!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O primeiro antibiótico

Gabriel está com 2 anos e 4 meses, passando por muitas transformações. Ele está tossindo há quase dois meses, começou a ir para a escola de manhã no início do mês e agora, pela primeira vez na vida, está sendo tratado com antibiótico.

Gabriel tomou muito pouco remédio desde que nasceu. Nem mesmo anti-térmico eu tenho costume de dar quando aparece uma febre... Sempre optei mais pela homeopatia e pela paciência. Nina, na idade dele, já tinha tomado antibiótico mais de uma vez. Mas há mais de dois anos não precisa de nenhuma medicação. Enfim, resolvi escrever o post, ainda mais diante da polêmica dos antibióticos no Brasil no momento.

No fim do mês passado, levei as crianças em um pediatra alopata muito bom, que já havia acompanhado Nina quando bebê. Voltei lá porque quero um acompanhmento das crianças de perto. Nesses dois anos, fiquei pulando de galho em galho, buscando homeopatas e pediatras, mas não me acertei direito com ninguém. Sou muito desconfiada da medicina tradicional alopata e preciso de um médico que tenha tempo para me escutar, que olhe e toque as crianças sem pressa, com respeito e carinho. Enfim, eu confio neste homem, do alto dos seus quase 2 metros de altura, mas de uma doçura comparável a de uma mãezona.

Semana passada foi uma correria na minha família. Fizemos nosso chá de bebê e recebemos minha irmã de Recife que veio se apresentar em um festival de teatro feito só por mulheres! Muito chique! Eles não ficaram hospedados aqui em casa, mas eu dei uma força, cuidando da minha sobrinha linda, de 1 ano e 2 meses. Além disso, tivemos apresentação da Nina em uma noite, espetáculo da minha irmã na outra, foi uma loucura!... E Gabriel, com aquela tosse que não cedia, na sexta-feira nos aparece com o canto do olho avermelhado, remela, tosse com catarro e febre...

Passei o fim-de-semana remediando a situação, deixando que ele descansasse e ontem visitamos nosso "consertador de menino". Era conjutivite mesmo, com aquela remela quase laranja! E pasmem, ele mesmo deve ter se infectado. O catarro da garganta já apresentava presença de bactérias e a mãozinha indo de cima pra baixo, o catarro lá dentro, tudo se comunicando, nẽo deu em outra. Conversamos, eu disse que ele nunca tinha tomado nada. Ele sugeriu um antibiótico por 5 dias, com uma dose diária só, além de xarope fitoterápico, soro no nariz, colírio pra conjutivite e nebulização. Ufa!...

Essa semana ele fica em casa com a mamãe o dia todo (como nos velhos tempos!). É de manhã, estou na sala com ele. Ele está brincando de cuidar do papai Noel, dar papá, desenhar, cantar e dançar. E claro, conversar comigo. Eu nem cheguei a escrever sobre os seus primeiros dias na escola, como eu me senti. Mas enfim, ele está curtindo desde o primeiro dia!... Achamos que ele deveria iniciar a escolinha, uma coisa só dele, antes do neném nascer, mesmo com as férias no meio, para que ele possa voltar a esta atividade só dele, depois do nascimento, para que ele não se sinta enxotado para fora de casa, né? E para que eu também tenha um tempo só meu e do bebê. Enfim, escolhas, escolhas...

Sempre as escolhas. Tomadas com conciência e amor, mesmo que não sejam as "certas", pois fatalmente vamos errar e aprender com esses erros, mas é preciso fazê-las. Diariamente. Amorosamente. Concientemente. Para então encarar suas consequências, sejam boas ou ruins.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre julgar e ser julgada

Estou um tanto mexida e pensativa desde ontem. Tive uma ligeira discussão (que quase virou uma briga) em um chat com uma das minhas melhores amigas por causa de uma crítica que ela me fez em relação ao blog, mais especificamente, a este texto aqui. Ela me disse que se eu não quero ser julgada, então não devo julgar...

Bom, eu reli o texto e os comentários recebidos até hoje e, sinceramente, não achei o texto ofensivo. É claro que muitas coisas ali não são fáceis de serem digeridas e há pessoas que podem se sentir diretamente atacadas por minhas palavras e ideias. Não posso generalizar e colocar todas as mães de classe média no mesmo saco. Mas também não posso deixar se notar o fato de que as crianças (principalmente os bebês e aquelas na primeira infância) têm sido deixadas sim por suas mães aos cuidados de outros. Isto é um fato!

E o que exatamente faz com que essas mulheres deixem sistematicamente por horas (ou até dias seguidos) suas pequenas crias? Bom, falando grosseiramente, o dinheiro. Em alguns casos, há mães solteiras que têm que sustentar suas famílias, ou mães que não têm nenhum apoio financeiro do pai da criança ou de suas famílias. Ou seja, seriam casos de sobrevivência, pois se essa mãe não sair para trabalhar, ninguém comerá. Em outros, e aqui eu falo especialmente de mulheres que estudaram e assumiram posições no mercado de trabalho, as mães voltam ao trabalho porque acham que se ausentarem por muito tempo, terão problemas.

Enfim, os motivos variam muito, de acordo com idade, classe social, nível de escolaridade, situação conjugal, etc. Eu não tenho dados específicos para explicar o fenômeno no Brasil. Só a minha observação do meu meio social e minha própria experiência de vida é o que tenho em mãos para escrever.

Não estou aqui nem para julgar, nem ofender ninguém. Mas não sou perfeita, nem imparcial. Sei que julgo e assumo isso. Mas esse não é o meu intuito. Escrevo aqui para refletir sobre a minha realidade e propor a discussão e a reflexão também. Se com minhas palavras eu conseguir atiçar o desejo de uma mãe somente de parar tudo e se dedicar-se exclusivamente ao seu bebê e à sua criança, pelo menos imaginando como seria sua vida com menos dinheiro sim, mas muito mais próxima daquele ser que cresce sem parar e que precisa de sua presença, sua entrega, sua disponibilidade, o que faço aqui já valeu a pena.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mais um encontro de mulheres

Hoje tive o prazer de participar de um encontro para gestantes e mães conduzido por Rita Pinho (doula e aprendiz de parteira - ex-Ventre Livre). Uma delícia! Barrigas e peitos para todos os lados, bebês pequenos, médios e os meus próprios filhotes. Convidei para ir lá comigo minha cunhada, com sua linda princesa de quase 6 meses, Beatriz.

Foi uma manhã descontraída, com muita conversa boa sobre parto, fim de gravidez, bebês e suas necessidades, amamentação, sexo, relacionamento com companheiros, profissão, conflitos e dificuldades de ordens diversas, delícias da maternidade, enfim, muito, muito papo de mulher mesmo! Tivemos ainda uma sessão de exercícios de yoga para todas e depois mais especificamente para as puérperes.

Para mim, foi uma manhã relaxante, de encontro comigo mesma e com outras mulheres e mães. Eu gosto disso, gosto de estar perto, de ver as mulheres com seus filhos e suas barrigas, falando delas mesmas e escutando o que as outras têm a dizer. Estou com quase 29 semanas de gestação, o que me coloca no terceiro trimestre, quase na reta final até o desejado parto e o encontro com este novo bebê que vem mudar a vida de todos nós, minha e do João e das crianças.

Tenho lido alguns livros sobre parto humanizado e recolhido muita informação sobre o parto domiciliar. Estou muito animada para ficar em casa e ter não só o trabalho de parto aqui, como parir no aconchego do meu lar, na companhia do meu companheiro, minha parteira (Paloma Terra) e minha doula (a mesma Rita). Esta será nossa primeira experiência de um parto do nosso jeito, já que os dois anteriores foram hospitalares, e apesar de vaginais, foram partos diferentes entre si e cheios de intervenções. Eu adoro falar de parto, mas ficará para outra oportunidade relatar minhas duas primeiras experiências aqui.

Agumas pessoas podem pensar que eu estou deslumbrada, que não tenho a menor noção do que pode acontecer, visto que todo parto é imprevisível. Mas todos hão de convir que uma mulher que vai parir pela terceira vez sabe mais ou menos aonde o trabalho de parto vai levá-la. Mesmo assim, não deixo de estar maravilhada com a possibilidade de entrar em contato comigo mesma mais profundamente, simplesmente porque estou me preparando para um parto sem qualquer intervenção médica, finalmente "natural" e espiritual, como sempre sonhei!

Sim, tanto eu como meus filhos estamos aqui, eles nasceram saudáveis e são saudáveis e é isso o que importa, no fim. Mas estudando e conversando com as pessoas, percebo mesmo o quão equivocado é este sistema maluco de trazer as crianças ao mundo, ao qual nos deixamos habituar. Acredito que o nascimento de uma criança é um processo fisiológico natural, um evento familiar e social e não um evento médico-obstétrico. Não vou me prolongar no assunto hoje e nem negar a contribuição da medicina moderna em partos complicados, onde óbitos poderiam ter ocorrido, caso não houvesse tratamento médico adequado.

Gostaria apenas de compartilhar minha alegria em me dar a oportunidade de olhar para o parto com outros olhos, Agradeço ter encontrado mulheres em meu caminho que form me mostrando este caminho possível pouco a pouco.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Colo de mãe

Como é bom poder estar disponível e perceber quando alguém quer o meu colo!

Estava botando o Gabriel para dormir. Sento-me do lado da caminha baixa dele e leio histórias. Não sei bem porque, mas hoje, quando apaguei a luz e disse boa noite, comecei a cantar também. Geralmente, eu só fico quieta, sentada no chão, esperando que ele adormeça. Mas comecei a cantar. E ele, depois de uns minutos, ficou emocionado e começou a chorar dizendo que queria ir para a sala. Uma confusão!

Não sei se ele estava com muito sono, cansado demais, ou ficou realmente tocado pela música, ou se houve uma junção de tudo. Só sei que no meio da confusão, ele se jogou no meu colo e praticamente adormeceu. Então eu disse: "Vai pra sua cama, meu amor". E ele se deitou e dormiu.

Da mesma forma, Nina, que é 7 anos mais velha que Biel e tem 9 anos, pede colo de maneiras variadas. Vira e mexe aparece um machucado ou um choro para mamãe cuidar... Hoje ela teve uma dor no joelho, que apareceu do nada! Como ela vai viajar amanhã para um festival de Cordas, aos cuidados de uma mãe amiga, logo percebi que ela precisava desse colinho extra e dei toda a atenção para ela e seu joelho. Na hora de dormir, bolinhas homeopáticas de arnica e voilà! Vamos ver se ela vai se lembrar da dor amanhã...

Gente, colo de mãe é bom demais! Eu, com meus 31 anos tenho curtido à bessa quando minha mãe me pega no colo (risos) e faz um carinho especial. Esses momentos são preciosos e intensificam o relacionamento com os filhos. Estar presente, saber ouvir, estar atenta e tranquila para justamente acalentar e tranquilizar o outro. Êta aprendizado para a vida inteira!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quem cuida dos nossos filhos? Um desabafo

Hoje de manhã senti-me sozinha e um tanto revoltada. Era uma cena comum, como já estou habituada. Na pracinha na frente do prédio de minha sogra (onde ainda me encontro), lá estava eu e Gabriel e uma babá com o "seu" bebê, que, depois do Gabriel, é o mais velho das crianças que costumam descer neste horário. Ele tem 1 ano e meio. Gabriel, 2 anos e 2 meses. Antes dos outros bebês (a maioria na faixa de 10 meses até 1 aninho e pouco) chegarem com suas babás, lá estava um nenenzinho de dois meses no colo da babá.

Eu me fiz de tonta e perguntei onde estava a mãe do bebê, pois ontem eu a havia visto, com roupa de trabalho, se aproximar de seu bebê (que continuou no colo da babá) e por ali ficar alguns minutos. A babá disse que a mãe estava no trabalho, que era médica e que ficava voltando para amamentar sua cria; que ela ia para a clínica só para atender um ou dois pacientes e que sempre voltava... E eu com meus botões: dois meses? O que faz uma mãe abandonar seu filho quase recém-nascido em casa com qualquer pessoa e ir cuidar de outras pessoas em seu consultório? Quanto equívoco!...

Tenho e sempre tive dificuldade com o esquema brasileiro de empregadas domésticas e babás. Não sou perfeita e muitas dessas dificuldades são na verdade preconceitos, é verdade. Mas para mim, a classe média brasileira, no geral, se aproveita de uma situação de abismo econômico, social e cultural, que cria uma legião de mulheres sem escolaridade ou preparo para o mercado de trabalho e que, sem escolha, acabam nos serviços domésticos não por vocação ou vontade, mas por pura necessidade. Não raros são os casos de maus tratos ou abusos por parte dessas mulheres, que geralmente largam suas próprias famílias para se envolver intimamente com outras e "criar" os filhos da classe média e quase que compulsoriamente os da classe alta também.

Mesmo quando Nina era pequeninninha (hoje ela tem 9 anos) e eu trabalhava, João e eu já nos sentíamos constrangidos porque estávamos sempre cercados de babás nos parquinhos e tal. Raramente tínhamos a oportunidade de conversar com os pais das crianças. E hoje, com Gabriel já grandinho e minha barriga crescendo, já não me assusto, mas me entristeço muito com estas cenas "corriqueiras". Acho que as profissões domésticas sempre existirão, mesmo porque são profissões como todas as outras. Mas nos últimos 50, 60 anos, a coisa vem saindo completamente do controle e no Brasil de hoje, as mulheres estão muito equivocadas em relação à maternidade. Afinal de contas, o que é a maternidade? O que é o feminino?

Largar suas casas, deixar seus filhos pequenos com babás, em sua maioria despreparadas, confiar cegamente em creches caras e lotadas? Não há provas suficientes hoje de que este modelo está furado? Eu fui professora e trabalhei com crianças e adolescentes de clásse média e alta. A gente vê os problemas do abandono, do excesso de coisas materiais, de alimentação inadequada, enfim, a lista é bem extensa. E tudo por que? Porque os pais e principalmente as mães estão ausentes.

Sei que em países desenvolvidos como a Nova Zelândia e a Alemanha, as mães são estimuladas a ficarem em casa com seus bebês até os três anos de idade, período depois do qual elas têm o direito de serem readmitidas no mesmo posto. Conheço algumas mães aqui em Brasília, funcionárias públicas, que tiraram licença sem vencimento para se dedicarem a seus bebês. E às vezes escuto de mães, que, como eu, simplesmente deixaram de exercer suas profissões enquanto seus filhos são pequenos. Mas ainda não participo de nenhum grupo de mulheres e mães que pensam como eu e sinto-me um E.T. no meu país e em minha cidade.

Sei que a internet é um ótimo recurso para eu desabafar e procurar pessoas como eu, ou pelo menos parecidas, mas o meu momento não me permite muito tempo para procurá-las e trocar ideias. As coisas estão tão de ponta-cabeça que o que venho fazendo é, aos olhos dos outros, uma coisa perigosa. "Como assim, "desistir" da carreira? E todos os anos de estudo, competição e esforço? Vou assim, me anular, virar "Amélia"?" Não é por aí, galera. Ninguém vai morrer se ficar dois ou três anos em casa, cuidando do seu bem mais precioso, zelando pela qualidade e o amor no presente e investindo incalculavelmente no futuro... Mesmo porque depois de uma experiência dessas,a vida de uma mulher nunca será a mesma. Pois ela terá investido em si mesma, no seu auto-conhecimento (sim, porque cuidar dos filhos é o mesmo que cuidar de sua criança interior, por exemplo) e sua relação com suas crianças será diferenciada, o que ela carregará consigo para o resto da vida, redescobrindo seu campo profissional, mais em harmonia com sua mulher interior. Bom, eu acredito nisso. E você?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Meteoros e flores

Hoje de manhã me disseram que houve uma chuva de meteoros esta madrugada. Aposto que deve ter sido linda. Bem cedinho, eu saí para dar uma caminhada. O arzinho frio da seca atiçava os meus poros. Então eu vi. Não os meteoros no céu, mas as flores de bouganville na terra. Eu estava de casaco rosa escuro e as flores eram do tom do meu casaco. Mas acho que era o contrário: sou eu quem está no mesmo tom das flores desabrochadas.

Os ipês já floresceram e já sumiram de novo com seus galhos secos, sem flores e sem folhas. Primeiro, os roxos (que têm uma coloração rósea, na verdade), depois os magníficos amarelos. E agora os bouganville de jardim colorem a seca de Brasília. São vários os tons das folres que contrastam com a grama seca e praticamente marrom: rosa-choque, rosa claro, escuro, enfim, enchem os olhos dos que podem vê-las.

Penso em como são efêmeras as flores. Ainda bem! E o que não é? Tudo é passageiro. As flores brotam, desabrocham, vivem exuberantes e depois vão embora, dando lugar a outras belas flores. E no fim das contas, o que não é assim também?

Grávida de novo, sou uma flor se preparando para se abrir e se mostrar para o mundo. Mas a gravidez passará e dará lugar a um novo ser, que mudará dia após dia, que mudará a vida de todas as pessoas que o rodeiam, principalmente a minha. Hoje vivi uma coisa curiosa. Cuidei de minha sobrinha de 3 meses por 45 minutos. E ela chorou praticamente todo o tempo... Minha cunhada, sua mãe, havia ido ao salão aqui do lado e me pediu para ficar com a neném. Eu aceitei, é claro. Imaginem: uma bolinha irresistível!

Mas acho que ela, além de estar com muito sono e não ter sentido a presença da mãe em lugar nenhum, estranhou o meu colo. Foi muito interessante ter um bebê nos braços que não era meu e não conseguir reconfortá-lo. Gabriel também sentiu a pressão e chorou também, querendo o meu colo. A mãe então chegou e a neném fez questão de deixar bem claro que não gostou de ter ficado com a titia sozinha. Chorou magoada ainda um tempo e só agora (uma hora e meia depois) está realmente relaxada e tranquila nos braços que a ela pertecem: os de sua mãe.

Quanta riqueza, quanta beleza neste mundo! Céu, meteoros, terra, flores, crianças nascendo, chorando, crescendo e sorrindo novamente...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Por que o parto domiciliar?

Sumida da vida virtual, muito movimento na vida do lado de cá. Grávida de 16 semanas hoje, ou seja, no quarto mês de gestação. Preparando-me para a chegada do meu terceiro filho, ou filha. Ainda sem casa, morando "de favor" com meus sogros amorosos e generosos. Conversando pouco com meu marido, que trabalha o dia inteiro e dorme na casa de sua avó, já que aqui ele não cabe. Sentindo o bebê dançar dentro de minha barriga, que já é protuberante. Curtindo as férias escolares com meus filhos, quando o sono e o cansaço não me vencem. Procurando onde morar no jornal, pagando contas atrasadas. Pré-natal com uma parteira. Dificuldades para fazer os exames necessários. Bom humor na maioria das horas, bélica e impaciente em outras. Esperançosa e já desejosa de estar "em casa". Onde fica? Minha casa é meu corpo, que já tem inclusive inquilino!

Quero parir em casa, assistida por uma parteira, uma doula e meu marido. Ainda falta muito tempo para a data prevista? É. Mas este será meu primeiro parto em casa... Minha preparação já está acontecendo, mesmo porque para o parto domiciliar é preciso um lugar aconchegante que eu possa chamar de lar. Mas por enquanto, cuido do meu corpo. Dancei durante dez dias com este bebê em meu ventre. Livre, procurando novos movimentos, buscando minhas raízes, deixando aflorar e nascer de dentro a dança que eu não conheço, não-codificada, não-técnica. Mas minha própria. Grávida, cansava-me mais que os colegas. Porém, dancei tudo o que pude e assim que voltei para "casa", ganhei o presente da dança do meu bebê em meu ventre, com apenas 14 semanas e se mostrando para mim, dançando, chutando, fazendo minha barriga pulsar.

Este é o meu caminho agora. Preparo físico para um processo fisiológico que vivenciei duas vezes, mas que agora será mais real, no aconchego do lar. Depois de dois partos "normais" hospitalares, desejo receber este bebê em casa, sem médicos, sem intervenções desnecessárias, com uma mulher que respeitará tanto a mim quanto ao meu bebê, nosso ritmo, nosso processo, e por que não, nossa dança? Tenho sede de casa, tenho desejo de estar presente e sei que a única coisa que posso oferecer para este bebê é o meu corpo forte, saudável, acolhedor e nutridor.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Convite

Caros leitores, convido vocês a visualizarem meu outro blog, sobre a prática do violino com meus filhos em casa. Há tempos não escrevia nele, mas hoje consegui postar lá! O texto é uma espécie de desabafo sobre a relação entre pais e filhos que venho percebendo por aí.

Quem se interessar, clique aqui.
Até breve!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Continuo aqui!

Bom dia, flores do dia! Há muito que não escrevo... Muitas coisas têm acontecido e não tenho tido energia para escrever.

O primeiro trimestre da gravidez é meio assim para mim: delicado. Enjôo, moleza, sono e fome são as coisas que mais sinto durante o dia. Pelo menos, não tenho vomitado, o que é uma novidade para mim e estou satisfeita!

Ontem, por exemplo, tentei escrever um e-mail para minha família e amigos falando um pouco das coisas e só fiz três linhas! Sem chance de continuar... Vamos ver se hoje eu consigo dar notícias para o povo. Mas as coisas não páram! Agora mesmo, troquei todas as camas, minha louça está gigante e acabo de saber que minha divina diarista Divina não vem! (Greve de ônibus: ninguém merece!)

Mas eis que hoje mais cedo eu recebo uma ligação telefônica e um convite. Era a Rita Pinho do Ventre Livre, me chamando para falar amanhã sobre maternidade no espaço. Mesmo em cima da hora: por que não? Esse tipo de coisa massageia o ego da gente, mas não é só isso. Há mais de um ano atrás, quando eu fiz o relato no espaço com o título "Profissão: MÃE" (confiram o texto da época aqui), eu estava apenas começando a trilhar este caminho. Agora, após dois anos de vida doméstica intensa e sabendo que ficarei ainda mais tempo em casa (tem outro vindo), meus sentimentos estão muito mais claros e tenho mais certeza de que o caminho que escolhi é o melhor que posso fazer por mim mesma.

É isso. Aos poucos, irei retomando meus escritos, na medida do possível. Esse mundo dá muitas voltas mesmo e tem mais coisas rolando aqui em casa, que, no momento certo, vou abrindo. Agradeço aos leitores amigos pacientes que continuam em visitando na blogosfera. A gente se encontra por aqui em breve!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Depois da chuva

Ontem choveu muito aqui em Brasília. Chuva fora de época. Não estamos acostumados com tanta água em plena seca! Bom para as plantas, para a grama, para os nossos pulmões! Bom para os meus pés que mergulharam na terra molhada e na grama recém-podada e feliz de ter sido regada pela natureza.

Sozinha, descalça, com short do marido, encontrei-me no jardim de manhã cedo mesmo. Gabriel havia adormecido novamente, talvez estivesse muito cansado. Sozinha, sozinha? Agora, com um pequeno bebê em meu ventre, estamos, somos um. Meus pés caminharam pela grama pontudinha, fazendo carinho nela. A terra da horta me recebeu lisa, macia, aconchegante, amorosa.

A grama me acariciou, me massageou. Nós dançamos juntas. Meus dedos, o peito dos pés, tudo ia se comunicando com aquela grama macia e, ao mesmo tempo, levemente alfinetada. Como no último encontro da Dançaterapia, senti minha coluna, que guiava meus movimentos. Sou movimento. Sou dança. Onde está a raiz do movimento? Onde é a minha raiz?

E lá está ela, minha raiz, minha espinha dorsal, me mostrando o caminho, fazendo minhas pontas dos dedos das mãos dançarem, irem de encontro ao solo, à terra. Aqui está ela, dando toda a liberdade para os meus pés dançarem, sentirem a terra. Senti todos os meus poros respirarem hoje de manhã, sob a luz branda do sol, a temperatura amena desta rara e bela manhã.

Aqui está meu ventre: fértil e úmido como a terra, com sua semente que se desenvolve, que cresce, que quer viver, que quer a vida! Estou viva! Não é maravilhoso? Sou criança de novo, brincando com meu próprio corpo, sem medo, sem amarras, simplesmente sendo eu. Sou grata!

domingo, 23 de maio de 2010

Quinteto Dias Reino

É com imensa alegria que anuncio que, em breve, nosso quarteto terá mais um membro, lá pelo mês de janeiro de 2011... Sim, estou grávida novamente! Muitas coisas têm acontecido nos últimos dias e não tenho tido nem energia, nem tempo de me dedicar aos meus textos. Mas acredito que, aos poucos, retomarei minhas atividades aqui.

Agora, por exemplo, estou com aquela cara de enjôo... O início da gestação para mim é assim mesmo. Se bem que acho que desta vez estou enjoando um pouco menos (nem vomitei ainda; vitória!). Cada barriga é uma barriga, cada bebê é cada bebê, afinal de contas... Mas o cansaço e a necessidade de deitar e repousar é a mesma.

O interessante desta gravidez é que ela não foi planejada. Meu marido e eu acreditávamos piamente que não desejávamos mais filhos. E eu repetia com ele que não dava mais, outra criança significaria mais trabalho, mais tudo. Então, pensava que não. Mas no meu íntimo, sentia que sim. Acho que foi assim. Como meu método contraceptivo era natural (sou adepta do método termo-muco-cervical, do qual já falei diversas vezes neste blog e especialmente aqui), tenho me deparado com perguntas e colocaçãoes do tipo: "esse método não funciona, eu já sabia"...

Portanto, eu gostaria de deixar uma coisa bem clara. A mulher que não deseja engravidar jamais tem duas opções: ser abstinente sexual ou ter relações com outra mulher. Pronto! Assim, estará segura! Todos sabem que não existe método contraceptivo com 100% de eficácia. E digo mais: um método natural como este do qual falo é gratuito, portanto não obedece a interesses de ninguém, não tem nenhum efeito colateral e empodera a mulher, no sentido que a coloca diretamente com contato consigo mesma através do seu próprio corpo, seus ciclos.

É claro que o controle da vida sexual não é fácil. É preciso um parceiro que acredite no que a mulher está fazendo, que compreenda o ciclo e que esteja disposto a viver com um certo rigor sexual. Não é uma decisão nem simples, nem fácil. Não vou dizer que não me sinto insegura quando penso que ainda tenho aí quase 20 anos de vida de ciclos férteis. Isto é assustador: pensar que temos que ser "caxias", além de observar, respeitar meus ciclos durante ainda tanto tempo! Mas isto é outro assunto e não é a prioridade agora. No tempo certo, vamos achar o que é melhor para nós.

Um outro ponto que acho relevante é o fato da maternidade vir para quem quer, ou quando a mulher sabe que deve porque se sente segura em relação ao parceiro, ou porque ela deseja isso concientemente. No fim das contas, concordo com minha amiga Rita Pinho do Ventre Livre: só engravida quem permite, seja por um desejo conciente ou um desejo profundo e inconciente.

Sabem aquelas histórias de mulheres que engravidam com D.I.U, com camisinha? O nosso foi mais ou menos assim: nós sabíamos que eu estava fértil e percebemos que algo escapuliu. Anotei, mas não achei que fosse nada grave. Até a menstruação começar a atrasar, atrasar e finalmente não descer mesmo! Aí veio um enjôo aqui, outro ali, muitas preocupações e o reconhecimento de um desejo enorme que eu vinha escondendo há alguns meses. João chegou a ficar nervoso, mas foi se acalmando e agora está curtindo a idéia. Decidimos assumir esta criança e nos preparar da melhor forma possível para recebê-la!

Então é isso! Levei a manhã inteira para escrever este post, com tantas indas e vindas: Gabrielzinho, soneca, enfim... O ritmo de grávida é outro mesmo e vou compreendendo-o e me adaptando a ele de pouco a pouco. Até breve!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mandala de Sal




Hoje recebi um e-mail muito lindo do meu sogro querido e gostaria de compartilhá-lo aqui. Este texto, portanto, não é de minha autoria, apenas chegou em minhas mãos. Que ele nos inspire a não ter medo do novo, da mudança, do movimento natural da vida. Dancemos esta linda Mandala de Sal!

O texto diz assim:

É um trabalho impressionante dos monges budistas que fazem as mandalas de sal colorido.
Feitas com o maior cuidado e com a maior dedicação, elas são desmanchadas logo depois de prontas para demonstrar a transitoriedade das coisas na vida, mesmo que elas exijam o maior esforço.
Assim é que nós devemos encarar o dia-a-dia. E sempre prontos para começar tudo de novo, se preciso for.
Perca o referencial de vez em quando.
Saia de sua zona de conforto.
Dê oportunidade ao imprevisível.
Nada é mais certo do que a incerteza.
As coisas têm o valor que nós damos a elas..
" Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito,
que significa TUDO MUDA ( tudo flui, nada persiste ) -
e ele usava como metáfora filosófica a idéia de pisar num Rio ,
que um milésimo de segundo depois de pisado,
já não era mais feito da mesma água.
A Saúde - A nossa maior dádiva!
A Oração - A solução para os dias atuais com a Terra em transição!
A PAZ - Busque-a na sua Energia Vital, no interior do seu ser!
O Amor - O elo, a razão e o entendimento para tudo!
O Perdão - A ascensão espiritual!
O Trabalho - É o nosso estímulo!
A Humildade - É a sabedoria!
O Orgulho - é a maior DOENÇA da ALMA!

domingo, 9 de maio de 2010

Agradecimento pelo belo dia das Mães

Agradeço a minha mãe por ter vindo me visitar hoje, trazido o prato principal, cozinhado em minha cozinha, ter me dado o melhor presente que ela poderia me dar! Um dia que começou sem expectativas, mas que termina com um grande passo: o de minha mãe em minha direção! Sou grata!

Passamos um belo dia, apesar do calor, em companhia dela, Lulu, meu irmão Leo, que me presenteou com um filme ótimo: Escola do Rock, nossa prima Sophie da França, com seu marido Alan, e claro, meus filhotes maravilhosos e meu marido querido. Foi comilança gostosa, teve quiabo, pepino e rúcula da horta, um monte de sobremesas: creme de abacate, salada de frutas e um pavê que não endureceu - acontece nas melhores cozinhas (será?) hehehe...

Teve conversa em português e francês, tradução, filme, passeios pela chácara, pitanga, limão e jambo do pé! Teve cochilo na rede, na cama e café com bombom para acordar! Ainda visita do tio, tia e prima queridos. Depois, debandada para ver vovó Beth tocar na Esplanada, o quarto movimento da Nona de Beethoven. E nós aqui, esperando Nina voltar para casa!

Estou feliz e gostaria de compartilhar isso com vocês. Felicidades a todas as mulheres que criam, que criam crianças, que criam seres melhores, que realmente se importam com eles e que se doam ao fazer essa que é a missão mais deliciosa e surpreendente de todas... ser mãe! Um beijo a todas e todos e até a próxima!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Homeopatia em nossa casa

Meu marido, João, retornou ontem à noite de um trabalho de três dias em Goiânia sobre homeopatia. É a terceira vez que ele participa deste congresso chamado "Educação Continuada em Homeopatia Previsível - IV Módulo" como intérprete de conferências. E todo ano é a mesma coisa: ele tem um monte de coisas impressionantes para me contar! São casos e mais casos, de pessoas muito doentes, de coisas que a alopatia não dá conta, problemas de família que se manifestam na saúde de um único indivíduo.

Querem algum exemplo? Um neném que tinha uma espécie de bola no nariz e o negócio sumiu totalmente. Outro neném cuja mãe derrubou água fervente e o bebê teve toda a pele da parte frontal do corpo destruída. Hoje ele tem cinco anos e nenhuma cicatriz. É. NENHUMA. Tudo pode se refazer em nosso corpo, até mesmo a cicatriz é a expressão de como nosso corpo lida com tal e tal situação... A estrela desse evento é o médico indiano Bandish Ambani, que tem uma vivência vasta de cura na Índia: a cura pela homeopatia!

Curiosamente, neste fim de semana, tive uma experiência com a homeopatia e o Gabriel. Como eu havia escrito aqui há alguns dias, meu pequeno estava doente e, como não melhorava, resolvi levá-lo à homeopata na sexta passada. Foi muito bom termos ido. Ela o examinou e disse que eu deveria tirar um raio-X do tórax dele, que estava chiando. Essa parte foi difícil: debaixo do sol de meio-dia de Brasília, eu rodando com ele no colo e Nina me ajudando, indo hospital para conseguir a radiografia para o mesmo dia. Acabou dando tudo certo e seus pulmões estão limpos. Menos mal. Começamos na sexta com a medicação homeopática, e de lá para cá, ele já teve aquela piora típica da homeopatia e começa a apresentar melhoras. O processo é lento e requer cuidado e paciência. E tenho isso de sobra!

Para mim, que sou sua mãe, acho que o que ele está passando tem a ver com as mudanças que estão acontecendo e estão para acontecer em sua vida. Acho que todo o processo de desmame está envolvido. Sei lá. O fato também de estarmos todos nós na expectativa de uma mudança de vida, já que nosso provedor deixará de ser free-lancer e assumirá um posto como funcionário público. Engraçado, no meu primeiro post deste blog eu escrevi justamente o oposto: que meu marido não era funcionário público e tal, que nossa vida era completamente fora do padrão. Bom, sinceramente, sei que mesmo ele tendo um emprego "normal", nós continuamos sendo uma família "anormal", com propostas bem diferentes das atuais desse mundo enlatado que está aí (expressão da Fernanda Matos).

Eu também estou em processo de mudanças: algumas vontades que não apareciam antes começam a se manifestar. Vontade de produzir mais, escrever mais, dançar mais, trocar mais com outras pessoas... Inclusive, meus ciclos menstruais têm começado a ficar mais espaçados. Eles estavam curtos, de 23 a 25 dias, e agora começam a se apresentar em 28 dias. Não sei, para mim, isso já é uma manifestação do meu corpo que algo está mudando dentro de mim. Aquela simbiose com meu filho bebê parece estar chegando ao fim. Também pudera! Ele está crescendo mesmo, está virando uma pequena criança! E minha filha? Seu corpo se prepara claramente para as mudanças hormonais maravilhosas e sagradas que a transformarão em mulher um dia!

É isso. Gostaria de dizer também que estou tendo problemas para postar comentários em meu próprio blog (como isso é possível?) e que portanto, não consigo responder os comentários carinhosos recentes. Também estou tendo problemas ao escrever posts, pois os detalhes sumiram (colocar link, negrito, enfim). Alguém pode me ajudar? Me dizer o que está acontecendo? Será o meu computador ou o blogger?

Fiquemos então na paz, aquela que existe em nós mesmos!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ogum e a Sociedade do Baobá

Precisávamos de proteção. Nina, de pirata, era o próprio Ogum, empunhando sua espada para nos proteger. Sob o luar e o céu estrelado, um círculo de sal grosso fizemos ao redor de nossa casa. Sentamo-nos e descansamos. E, como se soubesse o que eu pensava e sentia, minha filha ainda falou da grande árvore onde ela, João, Gabriel e eu morávamos.

Sou grata por estar conectada comigo mesma e minha cria. Sou grata por estar presente e ver e ouvir minhas crianças tão sábias.

Texto inspirado na proposta de Fernanda Matos: Sociedade do Baobá. Confiram aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Meus filhos nesta Brasília cinquentona

Meu bebê está resfriado e dando um certo trabalho. Irrita-se facilmente e grita com frequência. É só um resfriado, mas o nariz fica entupido quase o tempo todo. Qualquer pessoa sabe do desconforto que é ficar assim desanimado, imaginem uma criança que nem dois ano tem ainda! Pergunto-me se este seu mal-estar tem a ver com o desmame da noite... Provavelmete sim, inclusive porque nas duas últimas madrugadas eu dei peito. Fazer o quê? Aquele nariz entupido, acordando quase de hora em hora...

Mas já conversamos hoje. Eu lhe disse que o peitinho da madrugada acabou mesmo, que eu só dei porque ele estava doente, mas que não adiantava ficar dodói, não. Ele está crescendo e precisa descobrir o prazer de dormir a noite inteira! Esta compreensão está chegando inclusive para mim. Essa relação mãe e bebê é muito louca, visceral, estamos quase em simbiose. Mas esse tempo está se acabando. Ele está virando uma criança, pouco a pouco, e aí seremos mãe e criança.

Até porque eu tenho outra cria, outra criança que me quer, me chama. É Nina, com seus 9 anos completos, sua pele dourada, sua gargalhada, sua perspicácia, seu senso de humor, sua inteligência! Agora, mais do que nunca, ela pede minha companhia. Sua feminilidade começa a aflorar. E ela está vivenciando sua mãe se redescobrindo como mulher, em busca do "feminino perdido"! Quero estar mais e mais disponível para ela, para caminharmos juntas cada vez mais nesse caminho que nos pertence.

Enquanto isso, meu marido, João, está se fortalecendo como homem que é, exercendo sua masculinidade, sua objetividade, sua energia. e Gabriel, vagarosamente começa a entrar em contato com sua própria masculinidade. Hoje escutei o seguinte: o masculino é intenso, mas não precisa ser agressivo. É forte, é pontual, é certeiro! O próprio Sol. E nós? Somos Terra, com um ritmo bem diferente, mais Lunar, cheias de nuâncias, detalhes, ricas em subjetividade.

Mas dentro de mim também habita esse Sol, que me chama de uma vez e me faz agir precisamente. Assim como dentro deles habita a Lua, caprichosa, cuidadosa, redonda... Mas eu precisei e ainda preciso ficar mais forte com meu feminino para deixar o meu masculino se manifestar, na hora certa!

Que coisa! Minha intenção inicial era escrever um texto sobre os 50 anos de Brasília e a linda festa que os artistas da cidade se esforçaram para fazer! Como eles mesmos disseram: "com dez vezes menos, fazemos dez vezes mais!" Estive lá ontem pela manhã, com uma galerinha da família e à noite, só com a Nina e a Alice, filha da afamada Noélia, tia do João. Fiquei emocionada! A programação está nota dez! Para conferir, ainda dá tempo, visite o site deles aqui e o blog aqui.

Sim, eu que cresci naquele gramado da Funarte, entre ensaios e shows no teatro de lá, me emocionei com toda aquela gente animada, andando de palco em palco, procurando e encontrando o que queria ver, ouvir, vivenciar! Eu mesma, tive a felicidade de ver em ação o espetáculo Caleidoscópio, do Nós no Bambu (visite o site aqui dirigido por Nara, minha amiga de escola e dançado com outras duas acrobatas por Poema, amiga de colégio! Um trabalho lindo, intenso, feminino, forte! Bravas! E depois, ouvimos o Tambor de Crioulo do Seu Teodoro: que felicidade! Ainda subimos ao palco e dançamos, rodamos, rimos a bessa!

Enfim, uma festa autêntica, com a cara de Brasília e sua Arte! Bem diferente da festa na Esplanada, ao meu ver... Nada especificamente contra os artistas contratados, mas totalmente contra a forma como a cultura e os artistas locais são tratados por este governo local imundo e suas secretarias... Que dias mais limpos e dignos cheguem para esta linda cinquentona e que seus filhos possam se expressar artística e decentemente sempre!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sob o céu estrelado de Brasília

Hoje é segunda-feira, mas parece domingo. Tive uma semana e um fim-de-semana atípicos. Tudo divertido, mas diferente do que tenho feito. A primeira coisa que mudou em mim foi a minha constatação de que não queria mais acordar de madrugada para amamentar Gabriel. Reconheci que estava ficando cansada demais ao estar disponível também de madrugada para ele. Faço isso há quase dois anos!

Foi difícil reconhecer isso em mim, mas conversei com mulheres que me ajudaram a identificar essa culpa (que destrói e corrói tudo) de "deixá-lo" à noite. Estamos os três (eu, ele e meu marido) nos readaptando à noite, então. Quando ele acorda, já sabe que não tem mais peitinho, só colinho. Dá uma choradinha, pede, mas se conforma cada noite mais rapidamente. Acaba dormindo com a gente e nós o colocamos de volta na cama.

Continuo amamentando-o durante o dia, claro, porque quero, gosto e sinto que ainda podemos desfrutar desse prazer juntos. Mas felizmente estou entendendo que não é nenhum bicho de sete cabeças desmamá-lo, que ele já está grandinho mesmo e que na vida, as coisas também acabam, pois outras começarão! Estou mais tranquila e segura em relação a isso. Tanto é que fizemos nossa primeira saída juntos (João e eu) sábado à noite! Pois é!

Sabíamos do show do Moby (que não é um DJ, por favor, como a mídia ignorante insiste em chamá-lo) no Museu da República e propomos aos meus sogros cuidarem das crianças naquele dia à noite. Eles aceitaram o desafio e Gabriel passou então sua primeira noite sem mamãe ou papai de sua vida! Deu tudo certo, mas houve momentos em que ele ficou tristinho, sem descansar direito e tal. Mas tudo bem, ficou inteiro. E o melhor de tudo: eu também!

Adorei ter saído só com meu maridinho, o que fazemos raríssimamente. Fomos ao cinema e depois fomos para a Esplanada. O show era gratuito, mas comprando um ingresso baratinho antes, além de contribuir para o reflorestamento do Cerrado, a gente também ficava em uma área vip bem na frente do palco. Pelo que entendi, era um evento de música eletrônica com viés ecológico. Quando chegamos, havia um DJ que eu não sei o nome botando um som muito bom, meio house, acho, com belas melodias; depois Hopper; e à meia-noite em ponto: Moby!

Ele na guitarra, uma mulher negra arrasando no vocal, uma violinista, uma baixista, um baterista e uma tecladista, que também solou no vocal em algumas músicas. Eles tocaram coisas conhecidas, em um show bem amarrado, dançante e lindo de se ver e ouvir! Afirmo mais uma vez que Moby não é DJ, ele é músico e compositor. Suas composições passeiam pelo rock, soul talvez, house, onde ele cria batidas eletrônicas. Sua música é melodiosa e criativa. DJ é quem "bota" a música pronta para tocar, uma coisa dificílima aliás de se fazer bem feito, pois há a seleção das músicas e técnicas que vão além do meu entendimento. Não é à toa que esta profissão é reconhecida e o público reage na hora com sua energia ou falta dela quando ele ou ela está botando o seu som.

Eu queria, na verdade, escrever um texto sobre os encontros que tive nesta semana. Talvez meu texto não esteja muito claro... Acho que estou com certa confusão. Enfim, como tive uma semana atípica, encontros igualmente atípicos aconteceram. Tive a felicidade de reencontrar um amigão de adolescência no meio da rua, com as crianças no carro. Aquelas coisas de Brasília, você vai passando e grita o apelido da pessoa (de uns 13 anos atrás), a pessoa pára, hesita, mas acaba se convencendo que deve ser alguém importante para chamá-lo com tanta empolgação. Lindo! Adorei.

E justamente em um momento onde eu estava pensando na minha vida de poucos amigos, enfim... As coisas acontecem de forma bizarra às vezes. Lá no show também tive vontade de me comunicar e estar com pessoas queridas com as quais eu já me diverti muito! Nós revimos algumas pessoas das antigas, é claro, quando Brasília ainda tinha uma "cena" eletrônica. Também encontrei uma pessoa da qual sou fã de carteirinha há muito tempo... Há tanto tempo que morro de sem graça quando o encontro por aí na vida de verdade, mas nem tão sem graça nos nossos encontros nessa blogosfera maravilhosa e cheia de surpresas, né, Sílvio? ;) (Quem quiser conhecê-lo visite seu magnífico blog aqui) Eu me diverti bem, dancei, mas estava acabada às 2 da manhã!

Como eu me sinto em relação a tudo isso? Quando a gente inicia um caminho de busca interior, ele não tem mais volta. Eu estava lá, com todas aquelas pessoas, mas estava também vivenciando coisas internas talvez divergentes das das outras pessoas. Bebi uma cervejinha, claro, mas estava me sentindo inteira, viva e feliz! A música e a dança fazem definitivamente parte de mim mesma e quero cada vez mais me encontrar mais com elas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Inventário da Horta

Hoje pela manhã, eu desenterrei (isso mesmo) algumas batatas yacon da minha horta. Depois sentei-me e fiz o inventário dela, uma coisa que já estava querendo fazer há a algum tempo, tão simples, mas que ainda não tinha feito. Um levantamento quantitativo e qualitativo do que já existiu e do que existe e possivelmente existirá nesse lugar fantástico, onde a natureza simplesmente acontece e sou eu quem ganha os créditos e aproveito seu alimento!

Há um ano atrás, quando nos mudamos para a chácara, a horta era uma emaranhado de pés de jiló velhos e muito, mas muito mato mesmo. Ela estava demarcada por uma cerca e havia seis canteiros (os mesmos que mantenho até hoje). É uma horta grande. No início, só muita terra, mato e adubo com restos de entulho. Vocês podem ver o vídeo da Ninoca na horta há exatamente um ano atrás aqui. Aos poucos, a horta foi aparecendo.

Lembro que as primeiras coisas que plantei ficaram na cerca. Eu simplesmente não ousava ir além da cerca, não me achava digna, nem capaz de adentrar este espaço que me parecia tão alienígena. Em maio de 2009, fomos ao aniversário da nossa amiga Carol (visitem seu fantástico blog aqui) e sua mãe, que é agrônoma aposentada e artista também, me presenteou com várias mudas: babosa, manjericão, batata yacon, hortelã, orégano e amora. Essas duas últimas foram as únicas que não pegaram...

E assim, comecei a horta. Pela beiradinha, discretamente, surgia uma paixão e um respeito pelas plantas que eu jamais havia vivenciado. Minha primeira grande empreitada foi me matricular no curso de horta orgânica (vocês podem conferir minha experiência aqui). Mais encorajada, preparei os dois primeiros canteiros. Paulão (meu sogro querido) me ajudou com as mudas de couve. Eu não tinha coragem de plantá-las! Então, ele as plantou. Tivemos muita couve até recentemente, quando as lagartas destruíram por completo um a um os meus três pés...

Do lado da couve: cenoura, rabanete, salsa e nirá, que ganhei do Paulão. Passei por poucas e boas com essas hortaliças. Entrei em crise com as formigas e observando-as atentamente acabei por me tornar uma amiga e aliada. Eu conversei com elas e fiz um trato: elas podiam ficar com aquelas cenouras e os rabanetes também. Depois disso, comecei a levar bem mais de boa a presença dos animais "indesejáveis"...

No outro canteiro: cebolinha, com mudas que me foram ofertadas pelo pai do dono da chácara, que planta um monte de coisas lá embaixo, rúcula, mais manjericão e alface. Essa foi a primeira fase da horta, intuitiva, e praticamente com a ajuda dos outros. E foi muito bem sucedida! Depois eu vivenciei certas dificuldades: pouca água, sementes que não germinavam, mais bichos (principalmente lagartas, que comem tudo!)

Até que decidi produzir algumas sementes. Fiz mudas de tomates-cereja, variedade da Embrapa, mais compridinhos, e maracujá. Nessa época, também plantei mais plantas medicinais: boldo do chile, guaco e arnica do mato. Aí apareceu o Batista (caseiro da casa da Carol, um homem fabuloso) e disse que eu deveria plantar mandioca e milho do lado da horta. Eu acatei à sua sugestão e o resultado foi milho este ano (confiram aqui) e lindos pés de mandioca, que devo colher no fim do ano!

Aí veio a fase mais madura e ousada: pimenta-de-cheiro, pimenta-malagueta (falsa, porque não arde), girassóis e as mudas de tomatinhos que eu mesma tinha feito! Produzi semente de rúcula, de girassol e de coentro. Que orgulho! Para alguém que sempre se julgou incapaz de tomar conta de uma planta, eu virei uma bruxa com varinha-de-condão! hahaha

A partir de amanhã (Lua Nova), poderei plantar umas mudinhas que estão esperando: alface e couve-flor. O maracujá está enorme e ainda não deu, mas acho que vai dar em breve. Já tenho plantado também (e dando!): quiabo e pepino caipira. É, estou prosa e satisfeitíssima! A terra me ensina diariamente que posso contar com ela, que a vida vem dela, que ela recebe a morte também e se renova todos os dias. É um aprendizado diário, como a própria vida. É preciso paciência, dedicação e disponibilidade. Depois, é só aproveitar o que a terra tem para nos dar! E bom apetite!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A internet e o tempo

Quanto mais adentro o universo dos indivíduos que fazem upload de seus pensamentos e suas vidas na net, nós, blogueiros, mais me emociono com a variedade e, não raro, a qualidade dos textos que encontro.

Este universo é vasto, rico e borbulha de criatividade. Gente criando. Gente se expressando. Gente se comunicando. Gente comentando e interagindo diretamente com seus autores prediletos(que podem ser tanto anônimos, quanto celebridades da net). Esta é uma revolução que acontece graças ao advento da internet, sem dúvida.

E só estou dizendo isto porque simplesmente visito sites, em sua maioria, brasileiros e alguns pouquíssimos portugueses. Não porque eu não fale outras línguas, não, mas porque meus textos são em português. E esta é minha língua materna, até na internet. Sei também que faço parte da minúscula fatia privilegiadíssima do meu país, que não só teve acesso a melhor educação, com formação em arte, música, dança, teatro, línguas, viagens, universidade pública, enfim, mas que ainda por cima está devolvendo para o seu país todo esse conhecimento acumulado de graça, por prazer!

É interessante isso. A maioria dos blogs que conheço são de pessoas comuns, que escrevem por vontade e estímulos próprios, sem obedecer a padrões editoriais, ou à mídia. Eu gostaria de ter mais tempo para me dedicar mais a este mundo que tanto me fascina, conhecer mais gente, ver mais bons trabalhos e, claro, produzir mais e através do meu próprio trabalho, trocar mais.

Mas tudo no seu devido tempo. Não adianta acelerar ou impulsionar algo que ainda precisa de tempo para amadurecer. Muitas vezes, é preciso esperar que a semente brote, cresça, se desenvolva, amadureça, fique velha, produza então outras sementes e finalmente morra. Só aí é que suas filhas-sementes terão vida. Tempo. Simples assim. Entregar-se à sua magia e sabedoria.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bonança

Sim, parece que ela está chegando. Depois da tempestade, ela chega de mansinho, não é mesmo?

Ainda está de manhazinha. Choveu a madrugada inteira, aquela chuva pesada e constante. Mas amanheceu assim: céu límpido, sol esquentando, silêncio... Fui andar lá fora com o pequeno. Queria que ele sentisse o calor do sol em sua pele, como eu estava sentindo na minha e gostando.

As plantas estão crescendo (o mato também), as últimas sementes semeadas estão brotando. Ontem passei roupa, hoje tem roupa sendo lavada. Ontem eu estava muito cansada, irritada. Hoje sinto-me mais conectada.

Em pouco tempo, as conquistas começam a aparecer. Ontem João entregou sua monografia. Belo trabalho, algo que ele está semeando em seu jardim do saber. Semana passada, ele ouviu o chamado do Ministério. Um telefonema, mais precisamente. Só falta a publicação oficial e nossa vida vai mudar um pouco. Não de uma vez, aos poucos.

Meu dia-a-dia, bem como o dele, vai mudar de imediato. Ele já não vai estar tanto em casa como o trabalho de intérprete permitia. Então resto eu, em casa, semeando, cuidando do jardim, brincando com as crianças, cuidando, cuidando e ME cuidando. Tenho este espaço, que me é muito querido e importante. E é nele que continuarei a plantar minhas palavras, meus pensamentos e meus sentimentos.

E o futuro? Como já dizia Toquinho: "é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença, muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar"... Os caminhos estão sendo trilhados, os desejos, semeados. O momento presente é tudo o que temos agora. Este verde, as árvores, os pássaros, as frutas, as flores, tudo isso existe agora. Daqui a pouco, não sei. O mundo nos espera, quem sabe...

Que a esta Lua Minguante leve com ela as memórias de fracasso, de escassez, de dor, de medo, de raiva, de desamor. Que minha menstruação desça na paz, carregando com ela aquilo que poderia ter sido e não foi, limpando, limpando, limpando... Fiquem na paz.

terça-feira, 30 de março de 2010

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena" Pessoa

Hoje acordei cedo, como de costume, e escrevi uma longa carta a uma família amiga e querida que está longe, na Irlanda. Com meu pequeno acordado e a grande na escola, fiquei escrevendo na mesa do café da manhã ainda posta! E Biel lá comigo: comendo bolo de cenoura, depois brincando.

Até que ele me pediu para colocar a música do cachorro (aquela dos Saltimbancos - au au au, io i-ó, miau miau miau, cocorocó...). Achei uma gracinha! Ele gosta do CD todo, que é, na verdade uma pequena coletânea das músicas infantis da minha época e que Nina escutou muito também. Ele pede o CD. senta no sofá e coloca o dedo na boca, como se fosse ver um filme, só para escutar a música! E de vez em quando, salta para o chão e vai dançar. Aí eu vou também, né? Eu é que não vou perder a oportunidade de pegar carona naquela cauda de cometa e ver a via láctea, estrada tão bonita! E depois, brincar de esconde-esconde numa nebulosa; voltar pra casa: NOSSO LINDO BALÃO AZUL!

E assim comecei meu dia, bem mais animada do que ontem. Sinto que a TPM já está dando os seus sinais, mas como estamos passando por momentos estressantes em relação a trabalho, grana, enfim, ontem eu estava meio derrubada. Mas hoje, a Lua Cheia me levantou! HAHA! Passei um dia altamente prazeroso com meu bebê, depois fiz almoço simples, depois descansei, depois fui aco correio mandar a carta e ao mercado, que estava vazio e tranquilo (ufa!).Mas aí, desde que cheguei em casa foi uma maratona: lanchinho para as crianças, estudo de violino com Nina (para ler esta vivência de hoje clique aqui), banho da galera e o meu inclusive, fiz bolo e pão para amanhã (aniversário de 9 anos da minha princesa... VIVA!), dever de casa com Nina, mega super louça, separação das roupas de sua viagem com ela, escovação de dentes de todos e coloquei o Biel para dormir. Ufa! Agora estou aqui!

A pergunta é: todo esse esforço vale a pena? Sim! Primeiramente, porque não é esforço nenhum. Faço porque quero e porque gosto, sinto prazer ao realizar estas que podem ser chamadas de tarefas. Tudo bem, nem tudo são flores e há dias em que a gente perde a paciência, ou está cansada demais, mas esses dias não são a regra! E além do mais, a vida em casa é divertida, dinâmica, sempre tem o que fazer! Ou simplesmente não há nada a fazer e só resta uma coisa: descansar! Ah!...

Então agora vou parando por aqui para justamente ir descansar, pois amanhã tenho uma filhota que completa 9 anos e que vai ganhar um super café da manhã! Puxa, 9 anos... Eu me lembro do meu aniversário de 9 anos: foi um desastre, na praia. Aliás, como fazia aniversário nas férias, eles tendiam a se tornar desgraças porque a gente estava geralmente viajando com minha mãe e meus irmãos todos e minhas tias e meus primos. E, geralmente, os homens da família, na época, não eram muito presentes. Então, imaginem o nível de organização das coisas: zero!

O meu de 9 anos foi divertido, como sempre. Mas imaginem duas gravidonas de uns 6 meses (minha mãe e tia), a primeira com 4 filhos, a segunda, com uma neném (Fizeram as contas? 5 crianças entre 11 e 1 ano e duas grávidas no terceiro trimestre. OK). E elas tinham que fazer a minha festinha! Pense em um brigadeiro que nunca deu ponto! Eu sei que hoje em dia brigadeiro na colher é chique, tem até em casamento, mas pra mim não foi muito não.

Mas eu gosto da minha fotinho desse dia: com uma blusa e uma sainha vermelha, os cabelos de franjinha, um arquinho, na rede, toda sorridente. Ah! E bem negona, porque a nossa casinha ficava na beira da praia em Saquarema e eu não saía de lá! Esperem aí, acho que foi nesse mesmo ano que queimei a mão tentando pegar uma mãe d'água no mar (prima da água-viva, que parece uma manga). Fui salva por um surfista, que botou minha mãe escaldante na areia. Só me lembro de ter que ficar sentadinha na sombra da casinha, na frente do ventilador, com a mão cheia de uma pasta lá... sem poder ir pra praia! Ninguém merece!

É, lembranças... Mas Nina pela primeira vez na vida não vai ter festança. Amanhã, no fim da tarde ela pega o avião e vai passar 5 dias viajando com os avós e os dois primos. Vão para Gramado e Canela, no Sul. Detalhe: na Páscoa! Delícia, hein? Quando ela voltar, ela quer muito que um grupinho de amigas venha dormir em casa (uma festa do pijama!) para comemorar seu aniversário. Beleza!

domingo, 28 de março de 2010

E-mail à equipe da Revista do Correio

Gente, na capa da Revista do Correio de hoje, a seguinte chamada: "A revolução das donas de casa". Saiu uma reportagem sobre este assunto que tanto me interessa e eu escrevi o seguinte e-mail para a revista, posicionando-me sobre o que mais me chamou a atenção na reportagem. Confiram!


Prezada Equipe da Revista do Correio,

Gostaria de dizer que achei interessante a matéria sobre as donas-de-casa, grupo do qual faço parte por opção e amor a mim mesma e a minha família. E, ao mesmo tempo, manifestar minha indignação às seguintes palavras da repórter Maria Fernanda Seixas no trecho que segue: "... outras vertentes intelectuais chamam que a sociedade enfrenta um retrocesso com relação a conquistas femininas importantes, como o espaço no mercado de trabalho, a não opção pelo parto normal, a pílula anticoncepcional, o leite em pó, etc..."
Primeiramente, gostaria de dizer que estas chamadas "conquistas" não têm nada de femininas. Elas são, antes de mais nada, conquistas da indústria. Leite em pó? Ganho para a indústria alimentícia de massa, que insiste em iludir os consumidores de que suas fórmulas são mais benéficas para as crianças que o leite materno. A cinquentona pílula anticoncepcional? Nota mil para a indústria farmacêutica, que ilude a população ao desempoderar e distanciar as mulheres cada vez mais do próprio corpo. Minha gente, só engravida quem quer!!! É possível sim conhecer o seu próprio ciclo menstrual e a partir daí, sem dar dinheiro para a indústria, decidir se quer ter filhos ou não. Não opção de parto normal? Papo para boi dormir! Quem ganha com as cesarianas desnecessárias? Os planos de saúde, os hospitais, os médicos inescrupulosos, que só pensam em engordar suas contas bancárias e por aí vai. Mercado de trabalho? Em um mundo competitivo, onde a mulher, além de competir com o homem, ainda tem que dar conta do trabalho doméstico, da criação dos filhos, obedecendo a padrões que nada têm de femininos. E o que é pior: o triunfo das pessoas que ganham rios de dinheiro com tudo isso, fazendo as mulheres acreditarem que o que é bom é ter cesariana com dia marcado (sendo que o neném nem deu sinal de que quer sair), em um hospital chiquérrimo e caríssimo; que a carreira e o dinheiro, em detrimento da qualidade de vida com a família, é mais importante (queremos ou não indivíduos melhores?); que voltar a trabalhar com um bebê pequeno em casa é mais "vantajoso", pois não se perderá dinheiro, nem prestígio; que ter seus ciclos hormonais controlados por hormônios sintéticos, caros e maléficos é o melhor; enfim, uma série de bobagens que distanciam as mulheres cada vez mais do seu papel CRIADOR.
Eu faço parte desse movimento (mundial) da volta para casa e convido você a visitar meus blogs:

www.minhacasaminhaalma.blogspot.com

www.violinosuzukiemcasa.blogspot.com

Sem mais, Maíra Bezzi.

sábado, 27 de março de 2010

MÃE (Cora Coralina)

Mãe (Cora Coralina)

"Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura."

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dançando em Sampa

Cheguei de uma viagem de três dias e duas noites em São Paulo no domingo. Fui e voltei sozinha. Fui participar do primeiro encontro de Dançaterapia do ano no Brasil, que foi especial, ministrado pela própria María Fux, uma senhora dançante e mignone de 88 anos!

Minha viagem começou na sexta de manhã. Era a primeira vez que eu partia para a aventura e deixava meu bebê aos cuidados exclusivos do papai. Desde que comecei minha empreitada caseira, eu só havia me ausentado uma vez, há um ano atrás, por alguns dias para estar com minhas irmãs. Mas daquela vez, carreguei Gabriel comigo e só Nina e João ficaram vivendo suas vidas sem mim! Eu tinha alguns desafios para esta viagem de agora e o mais importante deles era continuar a produzir leite para o meu filho, mesmo estando longe!...

Cheguei à Sampa na hora do almoço, mas não estava nem cansada, nem com fome. Segui de ônibus até o metrô mais próximo e fui direto para a Luz (sim, I saw the LIGHT). Tinha um desejo enorme de conhecer o Museu da Língua Portuguesa e a oportunidade havia chegado. Gostei muito da exposição sobre variedade e preconceito linguístico, eu me senti de volta à sala de aula da UnB, aprendendo sobre nossa língua-mãe. Tive o mesmo sentimento na exposição permanente, contando a trajetória da língua portuguesa, bem como um pouco da história da Mama África e dos Índios daqui. Mas o que mais gostei foi a exposição multimídia "Praça da Língua", um projeto que não tem a intenção de ser uma antologia da língua portuguesa e sim uma celebração dela, com poemas e trechos de livros e músicas diversas, tudo declamado por artisitas escolhidos a dedo: um lindo trabalho! Chorei a bessa durante a apresentação em espaço fechado, com iluminação própria. A gente se senta e fica escutando aquelas palavras, enquanto os olhos viajam pelas estrelas de luz...

Eram quase 4 da tarde e eu estava com muita fome! Atravessei a rua e entrei na Pinacoteca, porque lá tem um café. Almoço suuuper leve e saudável: empada de frango, torta de limão com merengue e capuccino! fiquei ali olhando o Parque da Luz, com suas árvores diferentes (algumas eu nunca tinha visto) e seus visitantes: gente de todo tipo, todo jeito, todo mundo junto, trabalhadores, estudantes, desempregados, moradores de rua e transeuntes como eu, enfim, Sampa, né? Eu também nunca havia entrado naquele prédio lindo, de tijolinho, guardando tanta riqueza lá dentro! Visitei a exposição permanente, as esculturas. Através de um quadro, revi o Museu do Ipiranga ou Museu Paulista, projetado pelo italiano Tommaso Galdenzio Bezzi, pai da minha bisavó, que veio para o Brasil como arquiteto com sua família (daí esse meu nome artístico BEZZI). Também vi a exposição Brasiliana, com gravuras, aquarelas, documentos, livros que fazem parte da nossa história. Pena que ela estava extensa e eu, cansada e com a noite quase caindo. Mas valeu a pena!

Lá fui eu, de mochilão, com a cara e com a coragem andar uma estação de trem até a Barra Funda, mais próxima do meu hotel, segundo o Google. Bom, ainda bem que todos os paulistanos que parei ma rua me ouviram e me ajudaram, senão teria sido mais complicado e cansativo chegar ao meu destino daquela noite... Agradeço! Foi uma longa caminhada de lá até o hotel, que ficava exatamente na frente do estádio do Palmeiras! (E isso eu não vi no Google não, só lá!...). O fato é que cheguei bem cansada, com os peitos duros de pedra de leite. Tomei banho, tirei leite, vi um filminho mamão com açúcar e fui dormir.

Dia seguinte, grande dia! Já no café da manhã, revi algumas colegas do curso de Brasilia e conheci outras. E também a simpática e petite María Fux, acompanhada de Pio Campo e suas companheiras de trabalho italianas, Elisabeta e Julia. Fizemos um pequeno grupo de 7 mulheres e fomos andando até o espaço do curso. Um grupo engraçado, caminhando para o desconhecido, mas almejado: mais uma vivência em dança.

Começamos dançando o Bom Dia, e depois sim e o não, energias opostas, porém complementares, existentes na vida. Foi um trabalho forte, ao som de uma música com baixo e ritmo marcados. Depois, ao som de Bach, dançamos sua atemporalidade, utilizando o espaço disponível, o pequeno e o grande, o alto e o baixo. É engraçado como eu me recordo das músicas. Sempre me considerei uma pessoa de memória visual, mas agora reconheço que minha memória musical é muito forte e presente. O som desse violoncelo está em mim e era essa a proposta: ser o instrumento, tornar-se as cordas desse instrumento que, como a voz humana, pode ser doce e suave, mas também forte e trovejante.

Para fechar a manhã, esta senhora miúda, que já havia ficado de pé quase duas horas e dançado para nós, pediu uma cadeira, sentou-se e nos falou de como as palavras são vivas e que elas próprias já são dança. Acredito que a maioria do grupo foi almoçar no SESC Pompéia, que fica ali perto. Que beleza: assim que você entra, há um enorme banner com as apresentações e atividades do mês naquele SESC. Uma maravilha! Descobrimos que haveria show do Jards Macalé e do Jorge Mautner juntos naquela noite. Puxa, estávamos em São Paulo, fomos até lá para conhecer as raízes da Dançaterapia, com sua própria criadora, mas também queríamos ficar juntas e aproveitar um pouco. Compramos ingressos (eu e mais 5 de Brasília, que estávamos no mesmo hotel) e rimos a valer naquele show divertidíssimo, inteligente e musical!

Voltando ao curso, à tarde, María queria nos falar um pouco mais sobre o dançaterapeuta, para aqueles que fazem ou desejam ingressar na formação. Ela nos mostrou seu mais recente vídeo, filmado em seu estúdio em Buenos Aires. Nós vimos alguns de seus alunos dançando, quebrando suas próprias barreiras (em sua maioria físicas). Havia uma mulher surda, um grupo de adolescentes com Down, um grupo de crianças. Cada um dançando do seu jeito, sentindo de uma forma diferente. E é assim: quando as limitações são visíveis, as pessoas partem para o julgamento e têm dificuldade de lidar com o diferente. Por isso, Dançaterapia! Com ela, entramos nós mesmos em contato direto com nossas próprias limitações, que não são visíveis, mas podem ser muito mais limitadoras do que aquelas que chegam facilmente aos nossos olhos.

Depois, fomos convidados a fechar os olhos e dançar uma voz feminina com uma mão apenas. Mais tarde, deveríamos dançar essa mão e voz no outro. Este trabalho evoluiu com mais espaço e liberdade. De olhos fechados, assegurados pelo chão, dançamos ao som da bela e incompreensível voz, conectando-nos uns aos outros. Não sabíamos quem estava ao nosso redor. Ao mesmo tempo que tocávamos, éramos tocados e assim foi. Por fim, mais uma delícia: dançamos o silêncio em nós mesmos.

No fim do dia, eu estava bem cansada. Meus peitos doíam muito, principalmente o esquerdo. Mas consegui não só refletir sobre aquele dia, como tive a oportunidade de discuti-lo com Lila, minha colega de quarto. Fomos ao show, nos divertimos e eu dormi bem melhor. Domingo de manhã, meu peito esquerdo era quatro vezes o tamanho do direito. Duro! Mas deu para tirar um pouco de leite e dormir na boa. Descansei bem naquela noite.

Dia seguinte, María deixou claro que nós não éramos os mesmos do dia anterior. Pois a vida é assim: fluida. Lembrei-me da filosofia pré-socrática: tudo flui (foi Heráclito quem disse isso?). Hoje entramos em um rio e a água corre. A cada instante, nós nos modificamos como o rio que passa. Amanhã entraremos no mesmo rio, que não será mais o mesmo, tampouco nós mesmos... Estamos em constante mudança, dança, mudança, dança e assim deve ser...

Tive então a vivência mais rica do fim-de-semana. No chão, fomos raízes de plantas aquáticas, fomos plantas aquáticas e rochas do fundo do mar. É isso. Originalmente, somos seres do mar. Fomos gerados dentro de uma barriga que era o próprio mar, a barriga da mãe. Nossa natureza é fluida, mesmo que sejamos rochas e pedras. Elas também estão em constante mudança, apesar da aparente frieza e imobilidade. Senti-me muito viva e grata por estar ali... Para finalizar, retornamos às músicas do dia anterior e ganhamos de presente a "dança livre do amor"! (Sou eu quem diz isso!) Era uma música cantada em italiano, que falava de amor... belíssima!

No fim, eu estava me acabando em lágrimas e suor. O peito esquerdo doía e me fazia lembrar quem eu era, quem eu sou hoje: Maíra, mãe, mulher, minha, de mim mesma. É. Forte assim.

Ainda tive a oportunidade de ver a Paulista. Fomos almoçar no restaurante do MASP. Depois, jornada de volta para casa. Eu estava satisfeita, realizada, porém cansada e não via a hora de abraçar meus amores em casa e oferecer o peito ao Gabriel. E assim foi. Namastê!

domingo, 14 de março de 2010

Mulher é premiada por filme masculino

Interessantíssimo o texto especial de Karina Gomes Barbosa para o Correio Braziliense de ontem, intitulado "O dia em que roubaram o meu Oscar". A chamada diz: "A masculinidade da história de Guerra ao Terror prova que uma mulher só está apta a ganhar um Oscar de melhor direção quando se aventura justamente no território do homem."

Kathryn Bigelow foi a primeira mulher da história a ser premiada como diretora pela academia. Eu não vi o filme, nem assisti à entrega do Oscar. Mas li o texto de Karina e ele me fez refletir sobre este fenômeno de "reconhecimento" da mulher em questões masculinas. Não sou cinéfila, muito menos tenho dados e nomes de diretores e diretoras e seus filmes, prêmios e desilusões e etc. Porém, Karina me pareceu saber direitinho o que estava dizendo quando cita Barbara Streisand, por exemplo, e seus belos filmes, com temas bem femininos e suas derrotas na academia.

Que fique bem claro: há muitas diretoras de filmes por aí, tão competentes quanto os homens. Mas eis que esta diretora só foi premiada por um filme com tema de guerra e seus soldados no Iraque... Francamente! Será que este é o único assunto interessante atualmente?

Este fato me fez pensar novamente neste desequilíbrio entre o feminino e o masculino. Todos nós somos dois: ying e yang, feminino e masculino... Não é só uma questão de ser biologicamente mulher ou homem, são características arquetípicas talvez intrínsecas ao feminino e ao masculino... Não tenho certeza se vivemos em um mundo mais masculinizado ou não, mas tenho certeza que as mulheres desta época estão mais masculinizadas sim.

Por quê? São características masculinas a ação, a competitividade, o prover, a guerra, o lutar, sei lá! São mais femininas características como o cuidar, o nutrir, o ouvir, a tolerância e a subjetividade. Não estou negando as conquistas feministas, nem os direitos civis das mulheres, o direito de ir e vir, estudar, votar, vencer e tudo mais... Mas as mulheres meio que se perderam no mundo masculino, querendo se igualar a eles... Mas não somos iguais. Como eu disse: perdeu-se o equilíbrio entre o feminino e o masculino e o masculino se manifesta mais e é mais forte nas mulheres hoje em dia...

E acho uma pena, pois as mulheres têm tanto a dizer, tanto a dar para este mundo caótico! Mesmo que não sejamos reconhecidas por prêmios (em sua maioria organizados por homens, que também estão desequilibrados), há mulheres equilibradas por aí, pulsando com sua feminilidade e produzindo coisas belíssimas, fazendo a diferença em vários locais do mundo. Eu estou nesta busca: da minha própria feminilidade.

No meu caso, esta busca pessoal se deu no momento que assumi a maternidade por inteiro. O meu eu mulher, feminino, pulsa com esta minha volta para casa e esta disponibilidade para o outro, ao mesmo tempo que me disponibilizei para mim mesma. E acho que estou me reequilibrando... Cheers!

domingo, 7 de março de 2010

Meu texto para a Revista do Correio Especial: Dia Internacional da Mulher

 
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Reproduzo aqui na íntegra o texto e a foto que mandei para o site da Revista, em princípio sem esperar nada. Mas eis que segunda passada, me ligaram confirmando dados e cheguei a achar que teria alguma chance em ser publicada: doce ilusão! Quem é mesmo que está interessado em saber que tem mulheres de classe média por aí, que já moraram fora diversas vezes, já estudaram e trabalharam com várias coisas, são jovens, bonitas e talentosas, inteligentes e, no momento, querem ser só o quê? Mães?!?!? Enfim, vai entender, né? Aí vai:

A minha revolução: ser mãe em tempo integral

Pode parecer estranho uma mulher da minha idade, do meu meio social, ter escolhido ficar em casa após o nascimento do segundo filho. Ele tem 1 ano e 8 meses e desde que ele nasceu, eu me dedico inteiramente a ele, a minha filha de 8 anos, meu marido, a casa e, principalmente, a mim mesma.

Por que então dizer que este movimento é revolucionário, visto todo o movimento feminista do século passado, todas as conquistas femininas sociais extremamente importantes que aconteceram? Bem, o Dia da Mulher me impulsionou a escrever este texto. Minha decisão tem um impacto em nossa sociedade (altamente consumista e masculinizada), pois estou fazendo o caminho inverso do caminho “esperado” das mulheres da atualidade: estou voltando para casa.

Literalmente! Minha proposta é estar em casa, disponível para as crianças, proporcionando um lar amoroso, onde cada um de nós possa voltar-se para si mesmo e se reconhecer como indivíduos, pessoas especiais, com habilidades especiais. Meu marido e eu também estamos nesse caminho. Ficando em casa, eu dou a ele a chance de buscar lá fora o nosso sustento através de sua inteligência e sua garra. Ao mesmo tempo, eu posso me dedicar a mim mesma e ao nosso projeto mais importante: nossas crianças.

Assumimos a responsabilidade de cuidar integralmente delas, cada qual fazendo a sua parte. Acreditamos que assim, estamos fazendo “filhos melhores”. Sou uma mulher de 31 anos que desenvolve um trabalho não remunerado, tampouco reconhecido, nem pelo governo, que dirá por empresas e pela sociedade em geral. Estou desempenhando o meu papel como mãe, que é nutrir (em todos os sentidos), proteger, apoiar, mas sobretudo amar. Se eu não o fizesse, alguém teria de fazê-lo.

Uma das maiores queixas das mulheres que desempenham multi-tarefas hoje em dia é a famosa “falta de tempo”, seja para elas próprias, seja com suas crianças. Com minha primeira filha, sofri desse mal. Eu trabalhava, estudava, cuidava da casa e vivia altamente estressada e exausta. Muitas coisas aconteceram durante os 7 primeiros anos de sua vida. Felizmente, meu marido sempre foi um pai amoroso e presente e eu também tive o apoio de nossas famílias para cuidar dela. Enfim, não foi fácil. Quando decidimos então engravidar novamente, as coisas começaram a se apresentar de forma diferente para mim.

Comecei a perceber que eu não queria ter que me esforçar muito para dar “qualidade em detrimento da quantidade” com o meu tempo disponível para meu segundo filho. Eu comecei a desejar estar mais próxima e realmente disponível. Conversando com meu marido, que é free-lancer, chegamos à conclusão que valeria muito mais a pena (em termos financeiros mesmo) eu ficar em casa com as crianças do que continuar a dar aulas em horários esdrúxulos (o que sempre dificultou nossas combinações).

Na época, nossa decisão foi tomada baseada em cálculos. Entretanto, durante todo esse tempo que passou, os números se mostraram incapazes de “medir” a qualidade e os benefícios desta nossa empreitada. Eles são claros: nossas crianças são saudáveis, agradáveis, bonitas, esbanjam energia e vivacidade, são muito inteligentes, além de extremamente amorosas e carinhosas. Nós aprendemos muito com elas todos os dias. Digo até que aprendemos mais com elas do que elas com a gente. Mas isso é outra história...

Enquanto vamos mantendo nosso plano de investimento nelas em ação, eu, por minha parte, invisto em mim mesma. Como? Voltando às minhas raízes, pesquisando sobre minha família, escrevendo (mantendo um blog inclusive: www.minhacasaminhaalma.blogspot.com, buscando fazer o que me dá prazer, sendo em casa, cozinhando, limpando, plantando, brincando com as crianças, seja fora dela, participando de alguns encontros e recomeçando minha vida artística, de certo modo. Enfim, os benefícios também são latentes em mim: não vivo mais exausta, ao contrário, tenho energia para desenvolver múltiplas tarefas durante o dia e à noite, se necessário, pois durmo bem e também tenho tempo para descansar e mergulhar fundo dentro de mim mesma. Estou em aprendizado.

É claro que nem tudo são flores e também temos dificuldades nesse percurso. Mas nós estamos confiantes que algo maior está reservado para nós e temos certeza de que esta fase difícil vai passar. Outra coisa que vai passar é a infância de nossas crianças e nós estamos conscientes disto. Por isso mesmo, acreditamos que o momento para estarmos mais próximos delas é agora. O que acontecerá depois, ninguém sabe...

Como mulher, tenho certeza absoluta que estou fazendo o que o meu coração me diz. Estou também agindo e me preparando para ter outra profissão, uma que realmente me preencha, tanto quanto a maternidade me preenche agora. Mas isso é o futuro, tudo o que posso fazer agora é viver o presente, que é o maior presente do mundo: meus filhos!

sábado, 6 de março de 2010

"Maternidade é estar disponível"

Esta frase foi dita ontem à noite, por Rita Pinho, durante o encontro das sextas-feiras livres do Espaço Ventre Livre (para acessar a página do espaço, clique aqui). Eu estava lá e participei de mais um desses momentos de troca entre mulheres, mães, e alguns futuros pais, onde o tema era maternidade.

Rita conduziu a seguinte vivência: deveríamos procurar dentro de nós o momento ou a circunstância onde sentimos o desejo de sermos mães pela primeira vez. Dentro desta proposta, deveríamos procurar imagens em revistas que nos tocassem em relação ao tema e depois colá-las em forma de mandala em um pepel. Quem quisesse, estava convidado a compartilhar suas impresõs, sentimentos, enfim, o que o/a levou a fazer aquele trabalho.

Nem preciso dizer que adorei! Gostei de ouvir das outras pessoas o que é a maternidade para elas, como está sendo a gestação e gostei mesmo de poder compartilhar um pouco da minha própria experiência. Falei de como o que estou vivendo é extremamente libertador para mim, ao contrário do que julga a maioria das pessoas (olha, só: ela só fica em casa, quase não sai, nem vê gente, nem compra nada... coitadinha, está presa ao pé da mesa!...) Hahaha! Acho até graça. As pessoas estão muito presas ao estereótipo da dona-de-casa submissa e infeliz!

Mas mal sabem elas o prazer que sinto ao estar em casa, disponível para as crianças, podendo vê-las de perto, pegá-las no colo e acariciá-las e amá-las à vontade! Ao mesmo tempo, eu me divirto, eu gosto de ficar em casa, eu me comunico e crio neste espaço, que para mim, não tem nada de virtual! Sou eu mesma quem fala, escreve, sente, produz e publica! Sinto-me cada vez mais livre, porque estou cada vez mais em sintonia comigo mesma. Então, a maternidade para mim é isso: a grande chance da minha vida de parar tudo do lado de fora e me concentrar do lado de dentro.

Rita arrasou ao chamar a atenção de todos nós para o seguinte fato: se os pais podem fazer algo pelos filhos, devem agir nos primeiros anos de vida deles, pois eles são decisivos para a formação do indivíduo! E sintetizou a reunião de ontem dizendo que ser mãe é estar disponível. Eu concordo em todos os graus e acrescento que isso não significa se anular, vejam bem, olhem para mim! Sou cada vez mais inteira e é isso que quero que meus filhos sejam: eles mesmos, íntegros e inteiros. Namastê!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Música com crianças e para todos

Sou filha, neta e sobrinha de músicos. Cresci entre ensaios e apresentações pela cidade afora. A música sempre foi parte intrínseca da minha vida. Estudei muita teoria e toquei vários instrumentos em diferentes épocas: violino, harpa, flauta doce e flauta transversal. Mas como eu passava a maior parte do meu tempo dançando, não tinha muito tempo para os estudos de música, o que dificultava o aprofundamento ao tocar qualquer desses instrumentos.

Ao mesmo tempo, mesmo tendo crescido rodeada por música, não tive muito apoio em casa para estudar e acabava largando um instrumento quando ele ia ficando muito difícil e começava a tocar outro. Até o dia que abandonei a Escola de Música de vez. Meu último encontro formal, digamos, com a música foi em um Curso de Verão, onde estudei canto popular e, logo depois, integrei um coral feminino, o Ars Femina, que foi uma experiência divertida. Depois disso, era só: "é, a Maíra é super afinada, canta bem"... Mas, na verdade, não consegui ir além disso. Mas as coisas mudam bastante quando a gente se torna mãe!

Sempre brinquei e cantei muito com a Nina. Aos dois anos de idade, mais ou menos, ela começou a frequentar o então recém-lançado projeto "Música para Crianças" da UnB, dirigido pelo Professor Ricardo Dourado. As aulas eram aos sábados e, como eu dava aulas nesses dias, João era o encarregado de levar Nina às aulas de música. Assim foram os primeiros dois anos... Eu me encantava nas apresentações, mas não percebia quanto eu estava deixando de ganhar por não participar dessas aulas criativas e amorosas. Antes de seguirmos para a França, Luíza Volpini botou um violino nas mãos da Nina, ela estava com 4 anos. Mas o instrumento teve que esperar um ano (até nós voltarmos) para que Nina começasse a tocá-lo realmente.

A partir daí, ela começou a frequentar o curso "Violino para Crianças", também dirigido por Ricardo, mas coordedenado pela Luíza. Tinha aulas em grupo aos sábados e uma aula individual por semana. Eu a levava durante a semana e João aos sábados. Eu demorei um tempo para entender a importância de estar presente em todas as aulas. Continuava trabalhando aos sábados, até que finalmente consegui me desligar daquele horário de trabalho infernal!

Muito bem, meu processo como "mãe Suzuki" demorou a pegar no tranco porque eu demorei a entender a importância e o valor do estudo em casa com a criança (seguindo as instruções das aulas e minha criatividade). Quando finalmente comecei a entender mais o método, sua amorosidade, as oportunidades que ele traz de envolver pais e filhos, Nina começou a deslanchar. Mesmo. E não parou mais. Ela toca há quase quatro anos e gosta de ouvir sua própria música. É claro que não e fácil estimulá-la para estudar sempre. Há dias e dias. Há dias em que é preciso menos esforço da minha parte e há dias em que tenho que ser duas vezes mais paciente e amorosa. Há dias em que perco a paciência... Mas tudo é aprendizado. Aprendemos uma com a outra.

Com Gabriel estou tendo uma vivência diferente. Ele começou a frequentar as aulas de musicalização aos sete meses, no mesmo curso da UnB, mas com a professora Clarisse Prestes. Sábado passado as aulas voltaram. Ele é muito concentrado e musical, como sua irmã. Além disso, tema peculiaridade de ser um bebê extremamente comunicativo. Ele imita tudo o que a gente fala e sabe dizer o que quer muitas vezes, ou seja, é diversão garantida! Cantamos e ouvimos muita música em casa. Ele gosta, se acalma, se interessa e participa.

Bom, por que escrever essas coisas a vocês? Bom, primeiro porque é parte da minha casa, portanto, minha vida. Depois porque acredito que somos seres musicais. Qual é o ser humano que não gosta de música? Isso não existe! E as crianças, então, têm a música dentro de si mesmas, basta estar com elas, estimulá-las e ouvi-las. Todos podemos. Este é o princípio básico do Suzuki: se o ser humano tem a linguagem dentro de si, então ele também tem a música, pois ela também é linguagem (da alma, eu diria!). Qualquer pessoa pode aprender a tocar um instrumento.

E o que é melhor: fazer música junto com suas próprias crianças é algo que todos deveríamos experimentar e vivenciar, para sentir e saber como é. É estarmos presentes, com nossos filhos, dedicando nosso tempo a eles, dando o que temos de melhor. Vocês podem estar achando que estou romanceando demais a questão, e é verdade, porém, acredito na máxima de Suzuki: "educar é amor" e a educação musical não deveria ser privilégio de poucos, e sim, direito de todos!

Aproveito então esta oportunidade para divulgar meu novo blog, onde escrevo sobre essas experiências de ser "mãe Suzuki" e gostaria de trocar ideias com outros pais a respeito deste assunto. Vocês estão convidados a visitá-lo e participar, é claro!

Venha me visitar! aqui

Com amor, Maíra.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Festa do milho do meu quintal!

Qual foi minha alegria ao colher milho hoje! Tudo começou quando plantei junto com o Batista (o nosso jaridneiro Calunga maraviloso) no ano passado. Fiquei imaginando que eu faria uma festa do milho em fevereiro, com muito milho verde cozido pra todo mundo!

Então, há umas três semana atrás, fui verificar. Tirei duas espigas que me pareciam de tamanho razoável, porém a decepção foi geral: estavam branquinhas, magrinhas, não dava nem pra comer! Achei que ainda ia demorar muito para colher e deixei pra lá. Semana passada, Batista esteve aqui e me disse que o milho já tava era ficando duro para fazer cozido! Mas que tava no ponto pra fazer curau, bolo, mingau...

Aí eu saí igual a uma louca no meu pequeno milharal, colhendo milho e retirando a palha (muito dura, por sinal) e ficando com os braços irritados das folhas, que são muito ásperas! Batista tinha me dado uma ideia de como preparar curau e lá fui eu, desajeitadamente, tirar os caroços da espigas, batê-los no liquidificador, coar e cozinhar... Bom, é claro que além do petêco que ficou minha cozinha, o curau ficou horrível! Mas nada que eu e Biel não pudéssemos traçar com um pouco de canela...

Beleza, isso foi semana passada. Hoje, eu quis me aventurar de novo no meu milharal. Fui mais esperta: primeiro, não fiquei me roçando nas folhas enormes (pra mó di num coçá dispois) e segundo: tirei toda a palha e só trouxe as espigas limpinhas pra dentro de casa. Aha, o que não é a experiência! Perdi algumas espigas para bichinhos indesejados, tipo umas lagartas. Mas tudo bem, as espigas que eu trouxe (umas 10) eram lindas, enormes: o ouro do cerrado!

Fui mais espertinha desta vez: dei uma olhadinha na internet e vi uma dica muito boa: era pra usar uma fralda pra coar e separar a água do milho batido no liquidificador (com um pouco d'água) do bagaço. Foi bem mais tranquilo... Fiz o curau com leite de soja (já que raramente tenho de vaca em casa porque não o tomamos) e parece que ficou muito bom! Amanhã de manhã é que vou saber mesmo. E com o bagaço, fiz um lindo bolo com fubá: nosso lanchinho da tarde delicioso...

Quem diria! Milho da minha própria casa! Satisfação plena!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Picada de vespa longe da reserva

Hoje fui picada por uma vespinha no dedo médio do meu pé esquerdo. Isto foi no início da tarde e até agora meu pé está doendo e super inchado. Como tenho pés magrinhos, dá logo pra ver que tem algo errado...

Estava eu na rede, lendo e refletindo sobre o livro. De repente, percebo uma cosquinha entre os dedos do pé e descubro aquele insetinho. Eu disse pra ela ir embora, que não iria conseguir nada comigo. Me cobri e tentei me esconder no tecido da rede, mas quando eu achei que já estava livre dela, eis que ela me faz cosquinha de novo. Fui coçar e acabei por esmagá-la por entre meus dedos e foi aí que levei a ferroada.

Acontecimento interessante, visto que desde que nos mudamos pra chácara, ninguém havia ainda sido picado por um bichinho desses. E olha que acabamos de passar quatro dias no mato, no meio do Cerrado e ninguém foi picado também! Fizemos uma viagem curta até Pirenópolis-GO e nos hospedamos no Centro Caraívas, uma reserva ecológica a 7 Km de Piri na estrada de chão. Foi maravilhoso! Fomos a cachoeiras mais preservadas e reservadas, comemos super bem nessa pousada. Um lugar feito e cuidado com muito carinho. Conhecemos pessoas especiais e saímos de lá com vontade de voltar e partir também para novas aventuras.

Foi um momento de limpeza, de nos centrarmos. E as crianças? Adorando! Desde o início, Gabriel já estava se sentindo em casa, feliz da vida! Nina não saía da água nos passeios e só queria saber de brincar (e pra que mais?). João conseguiu relaxar, nós ficamos muito juntinhos e conversamos muito. Sabemos que este momento difícil que estamos passando vai efetivamente passar e que este momento não é um problema, é o presente. Eu confio, eu sei...

É realmente incrível a serenidade com que tenho vivido nos últimos tempos. Pessoas que me conheceram em outros momentos podem até se perguntar: mas hein, que bicho mordeu a Maíra? E eu diria, pois é: fui picada e fisgada pelo pé, que me conecta com a Terra, minha mãe, que me possibilita ficar em pé, livre no ar, que dá asas ao meu corpo, que flui na água e que queima e se transforma no fogo da vida. E que vespas, abelhas e marimbondos podem vir, que nenhum deles vai me derrubar! Rá!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Bloco da Tesourinha X Galinho de Brasília

Quarta-feira de Cinzas, mais um dos meus ciclos se iniciou ontem e tenho o que contar do Carnaval que acabou de acabar. Felizmente, não tive uma TPM aguda como a passada, com direito a cólicas e tudo mais. Ainda bem! Tive sim, no último dia antes do ciclo reiniciar, a alegria de participar do bloco de Carnaval mais novo e mais carinhoso de Brasília, o Bloco da Tesourinha, da 410 norte.

Embalados pela banda de pífanos Ventoinha de Canudo, participamos da concentração e do "passeio" de ida e volta até a tesourinha da 210/209 norte, ao som de marchinhas consagradas e ao ritmo do frevo animado. Um carnaval feito com muito carinho, para as crianças e seus pais arrastar os pés, cantar e dançar e se divertir juntos! Por sorte, eu havia encontrado uma amiga antiga (flautista) no domingo em um restaurante, que falou do seu trabalho no dia seguinte, e eu , intuitivamente, me animei toda.

Na segunda-feira, então, contrariando meu corpo que estava desejoso de ficar em casa, fui pra rua com meu marido e minhas crianças, para encontrar na pracinha da 410 um pessoal bonito, animado, dançando com os pés no chão! Pena que não podemos ficar muito de início, pois tínhamos combinado de irmos ao Galinho de Brasília, como vamos todos os anos. Mas que decepção! Saímos de um carnaval simples e amoroso para um carnaval que se perdeu na sombra do Setor Bancário Sul. Se perdeu porque a banda agora toca em um trio elétrico alto, longe dos foliões e das crianças, a principal atração deste que já foi o bloco mais querido desta cidade. O local atraiu outro público, não tinha nenhum verde, como no ano passado, quando o bloco teve que se refugiar no eixão por causa da confusão desmensurada e violenta do ano anterior.

O que fazer? Desmarcamos com todo mundo e avisamos que voltaríamos ao Tesourinha. E foi a melhor coisa que poderíamos ter feito! Voltamos e o clima continuava agradável, os tocadores de pífano e os percussionistas super felizes e as pessoas que ali estavam, mais ainda! Andamos com eles, Nina com os primos, eu com Biel no sling, fomos cantando e dançando... uma delícia! E a participação da polícia militar, pasmém, foi dez! Graças a eles, o bloco pôde fazer seu percurso completo de ida e volta na tesourinha, dividindo de forma segura o espaço com os carros.

Terça de carnaval, ontem, nós quisemos aproveitar um pouco mais deste novo bloco querido e voltamos! Havia menos pessoas, mas a animação e o clima de carinho era o mesmo. Na hora da saída, uma surpresa: um grupo pequeno de Maracatú veio vindo do outro lado, com sua percussão altíssima e seus participantes maquiados e fantasiados (tinha até um com aquela cabeleria ET típica e maravilhosa de maracatú...). Houve interação, foi interessante. Mas infelizmente, o bloco não tinha gente o suficiente para sustentar duas bandas ao mesmo tempo. Mas o pessoal do pífano, muito elegantemente, soube balancear a presença do outro grupo e seguir e fazer sua festa, com certa cacofonia, é verdade, mas com o mesmo bom humor e brilho.

Estão todos de parabéns! Aos que eu conheço: Davi da flauta e Dani, amiga das antigas, aos famosos e ilustres ali presentes, aos organizadores, que até suco de fruta natural ofereceram de graça para todos que quiseram espantar o calor... Enfim, estou muito feliz de ter participado desta festa lindíssima! AXÉ!!!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Delícias de um fim de tarde ensolarado

Horário de verão vai chegando ao fim e vai cansando da gente madrugar todo dia. Porém, o fim do dia pode trazer muitas surpresas. Hoje, por exemplo. Eu tinha passado a tarde inteira fora de casa com a Nina, porque era o primeiro dia de natação, seguido de ginástica rítmica. Um calorão, mas enfim deu tudo certo e conseguimos chegar em casa após certo atraso.

Crianças descalças, Nina só com o maiozinho da ginástica e todo mundo lá fora. Pé no chão, ou melhor, na grama. Fiquei admirando boquiaberta meus girassóis, que já têm quase dois metros de altura e estão em flor! Demos estrelinhas mil; Nina fez várias bananeiras e Gabriel acompanhando, do seu jeito. Aí Nina sobe no bico-de-papagaio e o pequeno quer subir também. A gente dá um jeito.

Gabriel adora "mergulhar" na grama alta e fofa. Então, a gente fica pelo chão, brincando. De quê? Aviãozinho, cavalinho, abraços e beijinhos, risadas... E aí papai pergunta: cadê o gato? Acabou de subir no pé de jambo. Detalhe, esta árvore tem um tronco liso e reto de uns quatro metros, que nosso gatinho dócil, porém muito selvagem, sobe "de quatro": se segurando e subindo com as garras e as patas todas ao mesmo tempo. Sua motivação: aparentemente há um ninho cheio de filhotes lá em cima, mas felzmente o ninho está muito alto e Hello Kitto desiste da empreitada descendo da árvore de costas. (!)

Não sei exatamente por que nós curtimos tanto essa vida bucólica. Às vezes me pergunto se é por que crescemos em apartamentos, mesmo tendo tido muito espaço público aberto, com sol, céu e grama, afinal crescemos no Plano Piloto, a ilha da fantasia (pelo menos quando éramos crianças). Mas será que é só isso?

Eu fui uma criança e adolescente meio "fresca": não gostava de andar descalça, nem de "mato". Mas hoje sinto-me parte integrante e ativa da natureza. Sinto a força que vem da terra e me ajuda a estar presente com mesu filhos e viver o momento com eles. Sei também do privilégio que é para crianças poderem viver assim, livres na grama, brincando de colher flores, catando e comendo acerola do pé, subindo em árvores... é isso! Sou muito grata. Queria dividir estes sentimentos com a palavra escrita. Um ótimo fim de tarde hoje e todos os dias para todos nós!